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A decisão do governo Donald Trump de retirar a sobretaxa de 40% sobre mais de 200 produtos brasileiros tende a gerar efeitos positivos nas exportações do país, mas com impacto restrito para o Rio Grande do Sul. Embora a medida reduza barreiras para setores como carnes, frutas, café e derivados, itens importantes para a pauta exportadora gaúcha ficaram de fora da desoneração.
Setores como calçados, tabaco, madeira, máquinas, couro, materiais elétricos e bens metálicos seguem sujeitos às tarifas, o que mantém dificuldades para indústrias fortemente dependentes do mercado norte-americano.
A avaliação é de entidades do setor produtivo e economistas, que veem o anúncio como um avanço diplomático, mas insuficiente para resolver as perdas acumuladas desde agosto, quando o tarifaço foi imposto.
Claudio Bier, presidente do Sistema Fiergs, afirmou que, apesar da sinalização de diálogo com os Estados Unidos, a nova medida não representa grande mudança para o Estado. Ele lembra que produtos como cercas de madeira, móveis e calçados, historicamente relevantes nas exportações gaúchas, continuam sem redução tarifária.
O setor calçadista, representado pela Abicalçados, destaca que os Estados Unidos são o principal destino das exportações do segmento, e que o tarifaço causou forte retração nas vendas — em outubro, o volume embarcado caiu mais de 300 mil pares em relação à média histórica do mês.
No setor madeireiro, o impacto tem resultado em demissões, fechamento de unidades e desaceleração do mercado, segundo o Sindimadeira. O tabaco, outro produto em que o Rio Grande do Sul é líder nacional, também segue sem isenção.
Economistas apontam que a retirada de tarifas priorizou bens ligados ao consumo doméstico americano e à pressão inflacionária interna, como carnes, café, frutas e sucos, segmentos nos quais os Estados Unidos têm menor oferta interna e dificuldade de substituição. Já itens industriais gaúchos não foram contemplados porque não estão diretamente vinculados ao custo de vida do consumidor norte-americano.
Mesmo com avanço para setores como proteína bovina — hoje com o México absorvendo parte da produção que antes era enviada aos EUA — especialistas afirmam que o Estado só sentirá melhora expressiva se houver novas rodadas de negociação. Para entidades empresariais, o anúncio representa um passo diplomático importante, mas ainda distante de recompor a competitividade das exportações do Rio Grande do Sul.